[GOWTY] A magistral trilha sonora de The Last of Us

Tags: Game music, goty, gowty, gustavo santaolalla, naughty dog, ost, the last of us, tlou, trilha sonora

O GOWTY (GoW + GOTY) é a nossa série especial que abordará os melhores do ano! Cada uma das girls irá eleger seus favoritos, portanto, tem mais conteúdo vindo por aí! Que fique claro, que aqui, é a minha humilde opinião, e não a da equipe como um todo. E atenção: o texto a seguir pode conter spoilers!

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O requisito mínimo para qualquer trilha sonora em qualquer mídia hoje em dia é ser coerente com a proposta e a mensagem que a obra quer transmitir. E The Last of Us possui cargas emocionais tão pesadas que fica difícil imaginar em qual gênero musical se focar a fim de conseguir fazer o jogador se sentir o mais imerso possível.

A resposta encontrada por Gustavo Santaolalla foi simples: minimalismo em sua essência, quase beirando o silêncio. O que de fato combina com um cenário pós-apocalíptico. A magia que transcende esta excepcional trilha sonora reside justamente aí. Com tons de melancolia expressos em acordes de violão minuciosos e característicos, a impressão que temos da música é de que ela foi composta à medida que o jogo foi desenvolvido. E acertou em cheio quem pensou assim.

As faixas se encaixam perfeitamente em cada cena justamente por causa deste detalhe. Em destaque, as faixas simbólicas (The Last of Us e Vanishing Grace) se consagram entre tantas outras que são igualmente e extremamente belas. O que difere a trilha de TLoU de tantas outras obras de game music bem executadas é o quanto ela soa natural e atinge sentimentos específicos em cada um, mesmo quando se ouve as faixas sem ter jogado de fato o título. Assim como o próprio game a trilha sonora também acaba se tornando uma experiência, e que claro, ganha um espaço a mais se a obra tiver sido jogada também.

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Gustavo Santaolalla e seu ronroco.

Argentino nato, Gustavo é um adepto da música desde muito novo: quando tinha 5 anos de idade ganhou um violão e começou a ter aulas. Pouco depois dos doze anos ele já tinha sua própria banda, pioneira de uma fusão entre os estilos rock e folk latino-americano. A carreira de Gustavo começou a engrenar pra valer a partir de seu álbum solo, Ronroco lançado em 1998, com diversas faixas compostas ao som de um característico instrumento chamado charango (ou ronroco mesmo), um violão de origem andino-boliviano tradicionalmente feita com a casca das costas de um tatu.

Foi então que seu trabalho começou a chamar atenção da indústria cinematográfica, e desde The Insider  – dirigido por Michael Mann – e Amores Perros – dirigido por Alejandro González Iñárritu – nada mais foi o mesmo. Após anos tendo acumulado em sua estante variados prêmios por suas composições, eis que chegou a hora de Gustavo trabalhar então com algo inédito – até então para ele –: vídeo games. The Last of Us é seu primeiro trabalho no gênero videogamístico, e é tão primoroso que dificilmente será esquecida por uns tempos.

Quando TLoU estava em pré-produção, a composição de sua trilha sonora possuía diversas indicações, e dentre muitos nomes premiados, o de Gustavo aparecia diversas vezes na lista. Quando abordado sobre o trabalho em um dos Diários de Desenvolvimento do título, ele comenta que o quê mais lhe chamou atenção no projeto foi o foco no emocional, na conexão e identificação entre os personagens e os jogadores, no sentimento; e talvez por estes aspectos que tornam o game tão diferente, ele tenha sido escolhido para a composição.

A liberdade para tentar diferentes combinações foi o diferencial com o quê Gustavo mais gostou de trabalhar na composição da trilha sonora, e além de gratificante para ele, o resultado final é de hipnotizar, mesmo que por um minuto, aqueles que escutam seu trabalho. É totalmente fora dos padrões que a indústria de videogames tem hoje, além de ser profunda, pungente, belíssima e  perfeitamente condizente com o estado dos personagens e do mundo de The Last of Us. Uma obra prima da game music, sem mais.

Estas duas faixas, Vanishing Grace e The Choice, respectivamente, são minhas favoritas. Compartilhem também suas faixas favoritas da trilha sonora!

Heads up: “The Last of Us: Original Score” foi lançado em 11 de Junho, enquanto que o game “The Last of Us” foi lançado exclusivamente para PlayStation 3 em 14 de Junho, com suporte a legendas e dublagem em Português.

Allons-y!

Jessica Pinheiro
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11 Comentários em "[GOWTY] A magistral trilha sonora de The Last of Us"
  1. paulohonda
    12/11/2013

    É impressionante como uma trilha sonora é capaz de dar a uma cena uma profundidade que você sente lá no fundo da alma,a alegria ,tristeza, toda forma de sentimento de quem o assiste.Esse trailer é simplesmente indescritível.

    • Jessica Pinheiro
      17/11/2013

      Não é?! Eu ainda choro que nem uma criança quando escuto Vanishing Grace, por que lembro das girafas e… T__T

  2. 13/11/2013

    Jejé, a trilha sonora de TLoU é absurda, sem mais. O minimalismo que o Santaolalla conseguiu foi perfeito e, como você bem disse, dá pra perceber que a trilha foi desenvolvida em conjunto com o jogo, por isso a sincronia tão boa.

    Antigamente uma das séries que mais curto no mundo tinha suas trilhas sonoras feitas do mesmo jeito (óbvio que tô falando de Silent Hill :P). Akira Yamaoka trabalhava junto com a equipe e as músicas tinham a mesma identidade do jogo. Depois que ele se afastou e tudo começou a ser desenvolvido no Ocidente, ele só inventava as músicas baseado em algumas informações que eram passadas, e isso fez tudo soar muito deslocado. Bom, de volta a TLoU…

    Escrevi sobre a trilha em uma crítica que postei num blog. Eu achei ridiculamente perfeita (perceba meu insistente uso de advérbios de intensidade… xD) porque me soou como uma mistura da trilha de dois filmes: Ensaio sobre a Cegueira e Extermínio (28 Days Later). Ambos são filmes com a mesma temática, pós apocalípticos por um motivo qualquer (Ensaio não é bem pós apocalíptico, mas o clima é parecido).

    TLoU nem poderia ter uma trilha tão “barulhenta” ou mais alta porque o jogo praticamente todo requer atenção máxima aos sons (o trabalho da galera com os efeitos sonoros foi brutal, fiquei pasmo com os barulhos que você ouve em toda parte no jogo). “Legal” é jogar na dificuldade Sobrevivente, onde você não tem aquele aguçamento da audição pra localizar os cogumelos ambulantes Clickers @_@

    P.S.: mais alguém ligou o som dos Clickers à Sadako/Samara de Ringu/O Chamado? :P

  3. 13/11/2013

    Eita, fechei uma tag errada ali no negrito de “muito deslocado” :O
    Arrumem pra mim, por favor (é só o “muito” em negrito), e apaguem esse meu comentário também.
    Sorry! ^^’

  4. 13/11/2013

    Mais uma (hoje tô lesado master! ¬¬’)
    No comentário gigantão errei tudo no P.S. É Sadako/Kayako, de Ju-On/O Grito
    A fome me deixa mais lerdo que o de costume… -.-‘

  5. 16/11/2013

    Jejé, sorry pelo uso do espaço num post seu, mas não tenho como mandar direto pra Bebs (daqui onde me encontro :P), faceburger e tal não abrem, enfim xD
    Se bem que também vale pra você e pra todas…

    Não aguentei o hype brutal que brotou em mim e tive que vir encher o saco me acalmar comentar aqui. Uncharted foi anunciado pra PS4, OHMAGAWD!!! @_@
    Não sei praticamente nada sobre, nem cheguei a ler e não tenho como ver o trailer aqui, mas se Bebs ler isso, tenho certeza que vai imaginar a minha cara (e minha tremedeira xDDD) assim que vi :P

    • Jessica Pinheiro
      17/11/2013

      Nada foi revelado praticamente sobre o novo Uncharted, mas né… #TamoJunto no hype! <3333333

  6. Wando
    27/05/2014

    Muito bom mesmo coisa de um verdadeiro profissional !

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