O encontro de três mundos: Diablo, Neverwinter Nights e Torchlight

Tags: BioWare, Blizzard, Diablo, Diablo II, Diablo III, Neverwinter Nights, RPG, Runic Games, Torchlight, Torchlight II

Jogo RPG há bastante tempo, acho que há uns 14 anos (mais do que muitos de vocês leitores tem de vida! rs) e, nessas minhas odisséias por reinos esquecidos esquartejando orcs e empalando goblins, pude notar (assim como acredito que muitos também) algumas similaridades entre vários títulos do gênero. Aí vocês podem dizer: “dãã-ãã… É mesmo que você achou coisas parecidas entre esses jogos?”.

Sim, pequenino herculoide, sei que pode parecer meio vago, mas dada a repercussão do último lançamento da Runic Games (Torchlight II) e o debate acerca da “briga” com Diablo III, achei interessante fomentar uma discussão (saudável) sobre esse tipo de RPG. E onde Neverwinter Nights entra nessa história? Veja mais a frente.

Ah, desnecessário dizer que este artigo é mais voltado para os que se interessam pelo mundo do RPG, mas pretendo escrever de uma forma clara para aqueles que não conhecem muito do gênero também possam apreciar e, quem sabe, até ajudar no debate. Mas caso você realmente não suporte RPG, ok… Mas, por favor, evite comentários do tipo “aaaiii… Eu não gosto de RPG e quero que você morra sua maluca!”. Me poupe…

 

Os filhos de Diablo

Pode parecer meio macabro, mas a maioria dos jogos de RPG/Ação com o gamedesign baseado em visão isométrica (aquela em que se joga olhando todo o cenário de cima para baixo), mostrando fontes de saúde e mana na tela, além da famosa e sempre útil quickbar beberam sim da fonte do Capiroto da Blizzard.

O primeiro Diablo, lançado originalmente em 31 de dezembro de 1996, causou um grande furor na época – especialmente entre a comunidade que era aficionada por RPG de mesa e que, até então, ainda não tinha experimentado uma adaptação, mais voltada para a ação, do universo do lápis, papel e dados no computador (tem uma análise do game aqui). No entanto, Diablo não foi o primeiro RPG no computador. Antes disso, alguns sortudos mortais puderam jogar o mais que clássico “Eye of the Beholder” – lançado em 1990, para MS-DOS e tinha até versão em disquete!

Não pretendo aqui fazer uma análise de Diablo e contar sua história, mas é importante salientar que o jogo trouxe o “hack and slash” para um game de RPG de forma mais imersiva e mesclada na possibilidade de visualizar (de forma clara) o mapa. Para jogá-lo, não era obrigatório um conhecimento profundo em regras de RPG, mas o básico era necessário para que se pudesse upar seu personagem de forma decente. E deem boas vindas a “skill tree”, que permitia que se investissem pontos de habilidades em um dos três tipos de personagens possíveis no primeiro jogo: Warrior, Rogue e Sorcerer.

Inclusive, essa fórmula padrão desses três tipos de personagens (um voltado para infantaria, outro rápido e furtivo, e o último manipulador de artes mágicas) foi e é usado até hoje em vários games do tipo como combinação padrão ou referência para a criação de novas classes iniciais. A Demon Hunter em Diablo III, por exemplo, nada mais é que uma Rogue mais enfeitada.

E vários games de RPG/Ação de sucesso, que de certa forma receberam o toque do Diablo, souberam adaptar alguns de seus conceitos para si, criar outros novos e aperfeiçoar os que talvez não tivessem dado muito certo. É importante ressaltar que não há absolutamente nada de errado em se reutilizar uma fórmula que deu certo para um projeto próprio. O mais interessante é você, inclusive, dar a sua cara a este novo trabalho.

E foi exatamente isso que games famosos do final da década de 90 e início da década seguinte fizeram. Quem teve o prazer de jogar títulos como: Baldur’s Gate, Planescape: Torment, Icewind Dale, The Temple of Elemental Evil e a série Neverwinter Nights – por exemplo, com certeza notou as similaridades visuais e de gameplay entre eles.

 

– Veja a cinematic do primeiro Diablo:

 

Neverwinter Nights: tão perto, mas tão longe

Após o estrondoso sucesso de Baldur’s Gate, a BioWare – que era pura de coração e ainda não tinha vendido a alma para a EA – lançou em 2002, na minha humilde opinião, um dos games de RPG mais imersivos e com um dos melhores storytellings que já joguei na vida: Neverwinter Nights (leia a minha análise do jogo).

No game, as referências a Diablo estão lá, no entanto, bem mais remotas. Lembra que eu comentei que não havia problema algum em copiar uma fórmula que deu certo e adaptar algumas das ideias a seu projeto? Pois bem, de referências a Diablo, NWN se limita a possibilidade de jogar com a visão isométrica (mas também é possível dar um zoom poderoso no personagem), quickbar e disposição do mini mapa.

Agora, é no gameplay que Neverwinter Nights difere bastante de Diablo (e aí vem o toque pessoal dos desenvolvedores): no lugar do hack and slash e apertações desenfreadas dos botões do mouse, entram a mais pura estratégia de Dungeons and Dragons. O game é praticamente uma versão digital da 3ª edição de D&D, inclusive com os mesmos nomes de algumas das locações que aparecem no jogo como: o mundo de Forgotten Realms, a própria cidade de Neverwinter e Luskan – lar dos mais temidos magos de todo o reino.

Do contrário de Diablo, aqui você realmente precisa ter uma noção de mediana a avançada das regras de D&D se quiser terminar algum dia o jogo (que é enorme!). As ações do game são baseadas em turnos, onde o próprio sistema do jogo lança os dados para ver se sua ação será efetiva ou não.

Você também pode ser penalizado se não cumprir exatamente o que o seu alinhamento mandar. Por exemplo, se estiver jogando de Paladino (Lawful Good) e resolver queimar um orfanato inteiro e assistir as criançinhas queimarem sofridamente até a dolorosa morte, certamente, você irá perder todos os seus poderes divinos – por ter cometido uma ação maligna – e irá se tornar um simples warrior de m*** até conseguir conquistar (ou não) os seus poderes de volta. Em Diablo, você pode quebrar o mundo e ainda sair rindo…

 

– Veja a intro CG de Neverwinter Nights:

 

A cereja do bolo: Torchlight

E finalmente chegamos ao ponto alto deste “singelo” artigo: a guerrinha de egos de quem é melhor, Diablo III ou Torchlight II. Antes de cutucar esse formigueiro, não é novidade para ninguém – nem mesmo para os desenvolvedores da Runic Games – que Torchlight não apenas bebeu da fonte de Diablo, mas levou baldes dela para casa.

No entanto, o mais fantástico de Torchlight é que, ao invés de pura e simplesmente fazer uma cópia na cara dura e mais coloridinha de Diablo II, a Runic Games pesquisou muito e incluiu em seu jogo tudo o que os fãs de Diablo II sempre quiseram e até sofreram para adaptar.

Por exemplo, quem jogou Diablo II na época do lançamento do jogo sempre penou para compartilhar aquele item legendário, que encontrou por aí, com outro personagem e não havia nenhuma miserável de “shared stash”, aqueles baús em que se pode guardar itens e compartilhar com outros personagens em outros gameplays. Torchlight fez isso!

Lembra também quando você estava lá nos Quintos dos Infernos de uma dungeon, sem nenhum scroll de Portal, e entupido de itens para vender e que não queria se desfazer, mas precisava muito pegar aquele machado dropado por um boss? Pois bem, Torchlight te deu a opção de ter um pet que, além de te ajudar a lutar, também servia como um stash ambulante e ainda vendia seus itens na cidade.

E quem nunca ficou possuído pelo ódio ao morrer em Diablo II e ter que voltar meio mundo (praticamente pelado) para buscar os itens que ficaram presos ao seu cadáver? Para piorar, o seu defunto quase sempre estava rodeado de bichos enormes e você armado apenas com um cajadinho safado! Torchlight te deu a opção de, em troca de algumas moedas, reviver no mesmo lugar ou na cidade mais próxima (e com todos os seus itens).

Mas o primeiro Torchlight ainda era um pouco massante com o passar do tempo. Nem todas as pessoas que o jogaram tiveram a paciência de descer todos os andares da quase infinita mina (não sei como não faltava oxigênio!) até o final do jogo. Faltava algo… Sim! Faltava a sensação de exploração de um “mundo aberto”, assim como em Diablo II, e não apenas descer infinitamente uma claustrofóbica dungeon.

Torchlight II veio para lapidar o primeiro jogo e, justamente, acrescentar essa exploração de um mapa mais aberto e até mesmo com as divisões da história (meio sem nexo e confusa) em Atos, assim como Diablo III. E realmente Torchlight II é bem similar a Diablo III em vários aspectos, mas talvez a grande sacada da Runic Games foi – novamente – analisar o que os jogadores de Diablo III criticaram no jogo (ou vocês acham que Torchlight II saiu meses depois de Diablo III por acaso?).

Diferente de Diablo III, em Torchlight II você não precisa, obrigatoriamente, estar online para jogar – apesar de poder montar LANs e também jogar online. Não existe a possibilidade de “pay to win” criada com a Casa de Leilões de Diablo III, ou seja, para você conseguir algum item legendário você terá mesmo que jogar o game, e não comprá-lo. Você consegue subir de nível bem mais rápido e, consequentemente, destravar novos atributos para seu personagem sem penar muito.

Os inimigos do jogo (especialmente os chefões) não são tão previsíveis e pegam você de surpresa algumas vezes. A skill tree não é pré-definida e você tem a liberdade de fazer o que quiser do seu personagem, inclusive, empunhar armas que não seriam naturalmente da sua classe. As sidequests são ótimas e acrescentam muito ao gameplay com ótimos loots e a possibilidade de upar de 2 a 3 níveis o seu personagem.

Os desenvolvedores também afirmaram que haverá a possibilidade de mods em Torchlight II, ou seja, muitas novas quests estarão a caminho e feitas pelos próprios jogadores. E, por fim, mas não menos importante, o replay de Torchlight II foi enriquecido com o New Game+, destravado ao fechar o jogo pela primeira vez. Esse modo acrescenta dungeons inéditas e novas sidequets.

 

– Veja o trailer de lançamento de Torchlight II:

 

O Diablo foi exorcizado?

Só para deixar claro, eu sempre fui fã da série Diablo e Diablo II é um dos meus jogos preferidos de todos os tempos. Me diverti com Diablo III, fato, e isso não me atrevo a negar. No entanto, ao menos para mim, faltou algo, faltou aquela gana de querer jogar de novo, e de novo, e de novo. Senti isso, entretanto, com Torchlight II (o primeiro enjoei em alguma dungeon e não terminei até hoje, rs) e sabendo que terei novas quests se continuar jogando, me incentivaram a jogá-lo até o level 100 da minha Embermage.

Não estou também dizendo que um é melhor que o outro, tudo é uma questão de gosto. Eu, particularmente, gostei mais de Torchlight II, mas você pode ter se identificado mais com Diablo III. Justo. Mas o que ninguém pode negar foi o excelente trabalho de pesquisa, execução e implementação de um sagaz modelo de negócio da Runic Games. Eles levaram ao extremo o conceito de estudar a concorrência e entregar ao consumidor o que a outra não fez. Acredito que se a maioria das desenvolvedoras de jogos tivessem um pensamento parecido, talvez teríamos muito mais games de qualidade hoje em dia e não um monte de blockbusters “mais do mesmo”.

Vivi Werneck
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49 Comentários em "O encontro de três mundos: Diablo, Neverwinter Nights e Torchlight"
  1. Robson
    30/09/2012

    Joguei os jogos da matéria!

    Com certeza achei muito imersivo o Neverwinter Nights, foi um dos melhores games de sua época, na época jogava ele e o Diablo II, mas emergi muito nele.

    Excelente matéria!

  2. Filipe Sá
    30/09/2012

    Vivi, supondo já que tem 1 monte de marmanjo pedindo, seria demais eu pedir a sua conta do steam também (se é que você tem uma)? Estou jogando Tochlight II, adorei ele. Sobre o mundo, posso dizer com certa convicção que eleé GIGANTE. Ao contrario do Diablo III, que apenas as cavernas possuem um pouco do antigo fator aleatório (e poucas, vale ressaltar), Torchlight traz um mundo mais aberto. Desconfio que, todos os mapas são gerados de forma semi-aleatória (existe variações de um mapa principal, onde você começa em diferentes pontos), E gostei disso. Da ao jogador, a possibilidade de jogar na raça, sem ter que ficar pensando matematicamente como ele vai pegar (ou “farmar”) certo item. Poruqe não dizer, ele é mais amigavel que o D3? Tenho ambos, gostei de ambos. Porém, se eu fosse chamar alguns amigos para jogar, seria pro Torchlight. Um universo um pouco diferente do seu pai, mas por um preço mais camarada, e porque não dizer, com o mesmo nivel de diversão? =)
    O que falta o jogo ser perfeito? O mesmo que seu pai errou: UM PVP PARA QUEBRARMOS AS CABEÇAS DE NOSSOS AMIGINHOWS! >=D

    PS: Antes que eu me esqueça, minha conta steam é fmasca. Quem quiser me adicionar na camaradagem, estamos ai! Vai ser facil de me identificar, meu avatar é justamente sobre o tema. ;)

    • Vivi Werneck
      30/09/2012

      Minha ID do Steam está no meu perfil do “The Girls” na barra lateral. =)

    • Steamdragon
      02/01/2013

      Felipe digita /PVP e vc libera o PVP no T2.

  3. Filipe Sá
    30/09/2012

    Ih… pedir sua conta não… me adiciona ai, pls! ai caramba… malz ai pela minha lerdeza. “¬¬

  4. 30/09/2012

    Ahhh, os jogos da Bioware… foram a minha introdução aos jogos de PC.

    Eu só acho uma pena que eu era muito noob na época para ter aproveitado o total potencial de NeverWinter Nights, que era o toolset para fazer novas aventuras e mestrar pros amigos. Essa ideia era excelente, eu gostaria de ver outro jogo com essa forma de multiplayer assimétrico(junto com um voicechat então…).

    Mas apesar da campanha solo de NWN ser boa, tinha uma vulnerabilidade enorme: o mago era extremamente mais poderoso em 90% das situações, após pegar um determinado feitiço, que era uma versão high-level do míssil mágico, cujo nome não me recordo. Decorando várias vezes esse mesmo feitiço que você poderia demolir o hp e as defesas mágicas da maioria dos inimigos(dragões, balors e liches inclusive).

    • Vivi Werneck
      30/09/2012

      “NeverWinter Nights, que era o toolset para fazer novas aventuras e mestrar pros amigos”.

      Acho que foi a única vez que criei um mod, rs. Eu tinha uma arena muito show! Infelizmente perdi o meu save do jogo… =(

      • 30/09/2012

        Eu tentei fazer uma cópia da Dungeon de Zanzer, do AD&D, se não me falha a memória. O Zanzer ficou igualzinho, a Dungeon ficou uma droga incompleta.

  5. leandro(leon belmont) alves
    30/09/2012

    Torchlight e Neverwinter são os filhos/cópias que dificil de se falar mal. pois se é para copiar, que façam direito. eu como retrogamer, dei umas jogadas em Darkstone que mistura Diablo 1 com o primeiro Torchlight. o visual é poligonal e se controla 2 personagens ao invés de um.

    mas eu acho que é muito velho para você curtirem, já que o game é de 1999…

    e não sabia que Torchlight o cara pode morrer e conservar os itens, em Diablo 2 isso é um teste de paciência…e grana. ainda bem que em Diablo 3 só tira a resistência ou durabilidade de certos itens…pena que você não tenha vontade de continuar o game após tê-lo zerado, eu mesmo vou com umas três classes antes de aposentar o game, por assim dizer.

    ainda bem que voltou com a normalidade dos Posts.

    Hee-Hoo!!

    • Vivi Werneck
      30/09/2012

      “ainda bem que voltou com a normalidade dos Posts.”

      Trabalho, rotina maluca e probleminhas familiares. Mas voltarei a postar com mais frequência agora que as coisas estão começando a melhorar! ^^

  6. Nero
    30/09/2012

    Ahhh Vivi,como eu estava com saudades desses seus posts!só um divã ou uma cronica para tornar as coisas ainda mais perfeitas!
    Mas então…tenho que concordar com você…em relação a tudo,Neverwinter nights foi um dos melhores jogos que já joguei,e Diablo II meu jogo favorito até hoje…Diablo 3 tem a questão da lineariedade que tornu o jogo super cansativo e etc.Alias Vivi,você viu o novo neverwinter nights que estão fazendo?

    • Vivi Werneck
      30/09/2012

      “Alias Vivi,você viu o novo neverwinter nights que estão fazendo?”

      Sim! E estou bem curiosa a respeito. Assim que conseguir mais informações sobre ele escrevo um textinho! =)

  7. Stormknigth
    30/09/2012

    Bom, o artigo tocou em pontos em alguns pontos em comum entre os três jogos, o que é interessante para o conhecimento geral dos fã desse “estilo” de jogo, mas, por óbvio, cada um desses jogos é algo a parte.
    Realmente, tanto o Diablo 1 como o 2 são jogos lendários, que viciaram muitas pessoas, tendo, como consequência, uma forte influência nos jogos que o sucederam com o mesmo gênero.
    Quando nós adentramos no jogo específico do Neverwinter, é possível ver que o mesmo aproveitou a visão isométrica presente no Diablo, uma vez que tal experiência deu muito certo do jogo do capeta, contudo, existem alguns pontos que devemos considerar.
    Diablo, apesar de anteceder o Neverwinter, teve forte influência do RPG Dungeons&Dragons, com o sistema de classes, criaturas, magias… enfim, tudo aquilo que a gente sabe que D&D consagrou eternamente numa infinidade de jogos. Com tal comentário eu viso a afirmar que Neverwinter, apesar de ter vindo após o Diablo, é um jogo que “bebeu” da fonte de D&D e não de Diablo. O próprio Diablo, como já disse, tem claríssimas influências do D&D, dessa forma, não podemos confundir alhos com bugalhos. Diablo é um jogo, basicamente, de Hack&Slash, já Neverwinter é um jogo muito mais voltado para a exploração e cumprimento de quests, ao bom, velho e clássico estilo do RPG consagrado pelo D&D, por tal razão, ele é muito imersivo como bem observado pelo Felipe Sá, uma vez que o seu objetivo era de levar a experiência do RPG de mesa para a realidade virtual.
    É inequívoco que para tais jogos fizessem sucesso, eles teriam de trazer elementos que os fãs de RPG se identificassem, ponto esse que une tais jogos ao meu ver, mas que, necessariamente, não significa que tais jogos tenham sido diretamente influenciados um no outro. São jogos distintos com mecânicas e objetivos diferentes.
    Já quando eu analiso o Torchlight II, bem, resta inegável que o mesmo é um jogo totalmente baseado no Diablo (até mesmo porque algumas pessoas que participaram no desenvolvimento de Diablo também participaram na criação do jogo). É nítida a intenção dos criadores em desenvolver um jogo que fosse uma opção ao já consagrado Diablo, apoiando-se no incrível sucesso do jogo do capeta é claro. Quando você afirmou que Torchlight II só saiu meses depois do Diablo 3 por conta da vontade dos desenvolvedores do game escutarem a opinião da comunidade “gamer”, verifica-se que há a necessidade de se acrescentar algo, o fato de que se esse jogo fosse lançado ao mesmo tempo de D3, ele não teria chances de competir com o mesmo. A espera pelo D3 foi algo absurdo, todos os holofotes estavam voltados para esse grande lançamento, já que seus antecessores (principalmente o D2) foram jogos lendários como já mencionei e, todo e qualquer jogo que entrasse na parada, seria obliterado pelo hálito do capiroto.
    Torchlight 2 trouxe elementos que D3 realmente não falhou, mas, se os jogos fossem iguais, ninguém compraria esse título! Outra coisa que também deve ser observada é que o tempo que os fãs do D3 deram de feedback para os desenvolvedores de Torchlight 2 foi de poucos meses (aproximadamente 4 meses), tempo esse insuficiente para mudar a muitas coisas importantes num jogo, levando a crer, então, que quase tudo que se vê no Torchlight 2 hoje já estava pronto na época do lançamento de D3, não sobrando muito tempo para os desenvolvedores do jogo realizarem alterações substanciais no título recentemente lançado, reforçando a tese acima levantada de que eles não lançaram o game próximo ao lançamento de D3 em razão da preocupação com o número de vendas e de jogadores interessados no jogo.
    Bom, esta foi a minha contribuição para o artigo, espero que ela seja vista de um ponto construtivo e que venha a enriquecer a discussão do artigo. Valeu!

    • Vivi Werneck
      30/09/2012

      Storm, primeiramente, muitíssimo obrigada pelo comentário-post, rs. Adoro esses comentários quilométricos. Isso é sinal de que o artigo rendeu uma boa discussão.

      Bom, agora vamos aos pontos:

      1- assim como vc disse de forma mais aprofundada e eu citei rapidamente (para que o post não ficasse ainda maior do que já ficou), Neverwinter Nights foi baseado mesmo em D&D – como disse no texto – e a similaridade com Diablo para no quesito da HUD do jogo e a visão isométrica, isso tb foi dito no texto.

      2- “fato de que se esse jogo [Torchlight II] fosse lançado ao mesmo tempo de D3, ele não teria chances de competir com o mesmo.”

      Sim! Esse foi um dos motivos que esperaram mais um pouco. Mas eles também aproveitaram para fazer pequenos ajustes. Gostaria de colar aqui o comentário que meu amigo Rafael Moco fez sobre o assunto no meu post do Facebook e que compartilho, integralmente, da opinião dele:

      “Na verdade, Torchlight II foi bem ‘posicionado’ em sua janela de lançamento. A ideia era lançar sim, perto de Diablo III, mas a Runic foi malandra em esperar, o que possibilitou o time de inclusive fazer alguns ajustes cruciais para que o resultado final fosse satisfatório. Some tudo isso à recepção abaixo da expectativa do game da Blizzard e terá uma receita incomum, mas impactante de sucesso.”

  8. Junior Pax
    30/09/2012

    Gostei muito de seu post Vivi (apesar de achá-lo um pouco pequeno tratando-se do jogos citados) mas mesmo assim você conseguiu ressaltar de maneira clara as principais características de cada jogo e suas evoluções tendo como grande fonte o “Capiroto da Blizzard”, rs.
    Depois que adquiri um note descente pra jogos estava na dúvida entre o Diablo III e o Torchlight II, mas depois da opinião da Vivi, com certeza vou de Torchlight II. Vivi quero te agradecer por me indicar o Deus-Ex Human Revolution estou adorando o jogo. Abraço!

    • Vivi Werneck
      30/09/2012

      “Vivi quero te agradecer por me indicar o Deus-Ex Human Revolution estou adorando o jogo.”

      And one more happy customer! ^^

      E em relação ao tamanho do post, tenho total noção de que deixei de comentar sobre vários pontos, mas se tratando de internet, não é muito legal um texto maior ainda (só esse foram quase 11 mil caracteres). Posso falar mais do assunto numa outra oportunidade, no entanto. =)

  9. Alessandro Messias
    30/09/2012

    Olá Vivi tudo tranquilo? Bons tempos de NWN, minha primeira placa de video multi textura ^^. Diablo 1 e 2 são classicos como vc mesma disse com formulas que foram copiadas ou adaptadas em outros jogos, ironicamente o D3 na minha humilde opiniao não conseguiu exito em tentar trazer essa velha formula de volta. Tenho jogado com um grupo de velhos amigos, divertido sim mas faltou algo. E outra ““pay to win”” muito bem dito eu acho que isso se encaixaria em outro jogo mais nao em D3, “Mas o primeiro Torchlight ainda era um pouco massante com o passar do tempo”, realmente ooo negocinho infinito aff, to ancioso pra começar o 2. Gostei do post Vivi me trouxe boas lembranças ^^.

  10. 01/10/2012

    Joguei todos, mas o Nwn foi por longos 6 anos. Eu jogava em um servidor de Role Play obrigatório do Terra. A experiência em servidores assim é extrema já que você interage com pessoas reais o tempo todo, tanto players quanto Npc’s

  11. Edu Leitão
    01/10/2012

    Sem dúvidas, os jogos das 3 séries são ótimos(exceto o diablo III¬¬).
    Esse tópico me fez lembrar dos bons RPGs antigos como Divine Divine(jogão), planescpate torment, temple of elemental evil e outros que saíram pós sucesso diablo. Que saudades ^^.
    Pessoal, vocês já jogaram a série Drakensang(não o online)? Esse jogo lembra muito o Neverwinter nights, mas tem seu próprio estilo. Caso tenha curiosidade dá uma olhada em: Drakensang: The Dark Eye, Drakensang: The River of Time e Drakensang: phileasson’s secret(expansão do TRoT)

  12. 01/10/2012

    Adorei Vivi! Gosto muito dos seus textos.
    Joguei apenas o Demo de Torchlight II e, alem das mecânicas citadas, o que deixa o jogo tão divertido para mim também é a arte gráfica. Gosto do design dos personagens, dos monstros e da possibilidade de você ter um furão como parceiro de batalha (são 6 ou 7 pets diferentes, de cachorrinho adorável a pequeno dragão).
    Tudo parece muito convidativo para exploração por conta também dessa recompensa visual que, em meio aos gráficos f*d*s dos jogos de hoje em dia, faz um bom serviço num jogo de perspectiva isométrica.
    Também acho legal o Cenário do game, me referindo ao contexto do ambiente, do mundo e da identidade visual do mundo, essa mistura de steam punk com magia medieval dá um plus na experiencia do jogo, você não sabe que tipo de coisa pode aparecer pra você matar ou que item legal (tipo um canhão)pode dropar também, isso porque a classe que mais gosto é o Vanquisher, dá um ar de Western jogar com armas de fogo, rsrsrs.
    Tô falando um monte de coisa mas só joguei a demo, imagina se eu tivesse jogado tudo(juntando moedas).

    • Vivi Werneck
      01/10/2012

      Compre! Valerá a pena cada centavo! =)

  13. Fernanda Martins
    02/10/2012

    Eu confesso! Nunca joguei Diablo até o ano de 2010… é amigos… a vida é cruel. Eu não conhecia o RPG até TES Oblivion/Morrowind! Só tiro tiro tiro…. e tiro. Bons tempos de Counter Strike e cia.
    Quando tentei jogar Diablo II em 2010 me senti completamente perdida. Vendo esse post da Vivi pergunto-me. Vale a pena embarcar no Diablo III ou em novas aventuras como Torchlight?

    • Vivi Werneck
      02/10/2012

      Diablo III é muito mais simplificado e “mastigado” em relação a Diablo II. Não acredito que vc ficará perdida pq o jogo está bem didático. Em relação a Torchlight, recomendo vc pegar o segundo. O primeiro é bem legal tb, mas cansa… rs

  14. 02/10/2012

    Excelente texto Vivi. Concordo 100% com vc: Torchlight é o caso perfeito de como é possivel criar um game que beba muito da fonte de outro, porém enriquecendo-o com o que o publico aclama!
    E que a concorrencia continue forte, para que as empresas sempre deem o melhor de si na competição!

  15. 02/10/2012

    Pra mim na época do lançamento de Torchlight eu não vi nenhum RPG que caísse no meu gosto, não apenas eu mas a maioria das pessoas foram experimentar o game exatamente por ser um Diablo like. Acho que o pessoal anda procurando motivos pra briga ficar comparando ambos e defendendo um ou outro titulo como se fosse uam religião ou time de futebol. Gosto dos dois e apesar de serem o mesmo genêro cada um tem suas particularidades boas e ruins… Eu compraria os dois KKK

  16. Sputnik
    02/10/2012

    Torchlight 2 tá muito irado. Eu joguei o primeiro por bastante tempo, mas não cheguei a fechar. Joguei com todas as classes mas ainda assim sentia que faltava algo… falta alguém. Daí veio o anúncio de TL2 com modo multiplayer lan/wan, excluí o jogo na mesma hora e fiquei roendo as unhas durante meses à sua espera. Já joguei a demo e o jogo parece estar bem legal. Torchlight bebeu incansavelmente da fonte de Diablo, fato, mas não quer dizer que sejam o mesmo jogo. Muito pelo contrário, é exatamente por isso que são jogos totalmente diferentes. Joguei Diablo 1, 2 e 3 e achei todos muito irados. Torchlight, por outro lado, tem lá os seus altos mas (na minha opinião) não chegou aos pés de Diablo 1 ou 2. Já TL2 chegou arrebentando, pronto para bater de frente com Diablo 3 (figurativamente). E ele (TL2) veio algo que pesou bastante em minha decisão, que foi o sistema de builds. Torchlight 2 oferece um sistema de builds muito mais amplo e “pesado” que Diablo 3. Diablo 3 continua com o mesmo sistema linear dos jogos anteriores, mesmo depois do sucesso de TL. Esse sistema não tem um peso tão grnade no jogo. Você avança os leveis e habilita novas habilidades, basicamente. Em Torchlight (desde o primeiro) suas escolhas são definitivas e vão pesar muito no seu jogo. Você tem de montar sua build de acordo com o seu modo de jogar, de acordo com como você usa o seu personagem. E em TL2 temos skills de passiva que são ainda mais tensas. Em meu Engineer (Elite softcore) fiz builds passivas de defesa e ativas de ataque com armas grandes (big hammers), que é o meu estilo de jogar. Já meu amigo, fez builds de ataque à distância e robôs de suporte. Quer dizer, você tem mais liberdade de escolha e… bom, enfim, tô pagando muito pau pra TL. Só pra finalizar, gostaria “deixar a dica” para um outro jogo hack n’ slash que está em produção, ele chama Grim Dawn. É muito foda, bem dark, e o estilo de jogo lembra um pouco Diablo 2.

    • Sputnik
      02/10/2012

      PS: não li nenhum comentário, rs, desculpem xD

  17. Alessandro Silva
    03/10/2012

    Muito Legal a matéria vivi!
    Eu só joguei o NeverWinter Nights, vou procurar pelos outros!
    Sucesso pra todas vocês! até a próxima!

  18. Fabão
    03/10/2012

    eu ainda quero jogar torchlight, todo mundo fala bem, parabens pelo artigo vivi… uma pergunta: vc vai jogar a nova versão do baldurs gate?

  19. Marcelo Sarmento
    05/10/2012

    Curti muito a matéria, Vivi!

  20. gold price
    06/10/2012

    Nunca Joguei nenhum Torchlight, mais reclamar que Torchlight é cartunesco é idiota demais, já que o jogo pelo que andei lendo sempre foi assim, e o universo assim como a lore do jogo são diferentes da de Diablo!Agora diablo ser feito de um geito cartunesco e sem a temática religiosa no meio da história, assim como foi diablo 3, ai sim é descaracterização, já que diablo o 1 e o 2 nunca foi cartunesco e sempre teve uma história e ambientação mais séria!Torchlight é uma coisa e Diablo é outra, e pelo pouco que ouvi da trilha sonora do TL2 no youtube, é sim uma boa trilha sonora, condizente com o universo do jogo, e aliás reclamar de quem fez a trilha sonora do TL2 é chamar de ruim o cara que fez a trilha sonora do diablo 1 e 2, o que é inadimissivel ja que Matt Uelmen é um cara muito BOM, as trilhas sonoras do D1 e D2 estão ai e não me deixam mentir!Que aliás são muito mais marcantes e presentes ao jogo do que a pífia trilha sonora do diablo 3! Essa sim é ruim!

  21. bquarkz
    07/10/2012

    A sacada da Runic em lancar o Torchlight II alguns meses depois de D3, para quem não percebeu, foi simples. A Runic é uma empresa pequena já a Blizzard nem tanto, D3 é da Blibli e teve um marketing massivo e muito bem feito. Torchlight II, ao contrário do que dizem, n veio competir com o diablo, mas arrebanhar um séquito de fãs que estavam ansiosos por longos anos, e que ficaram desejosos por algo mais, mesmo com D3. A Runic estrategicamente se apoderou de todo o marketing da Blizzard e… enfim, lancou-se no mercado como uma GRANDE produtora! Genial.

  22. 07/10/2012

    Excelente texto Vivi. Realmente NWN foi um dos melhores RPGs que já joguei. Diablo III eu achei legalzinho. Não tenho paciência para ficar upando meu nível Paragon …. mas ele não me prende tanto como Diablo II me prendeu.
    Beijos

  23. Francine Rosa
    08/10/2012

    Normalmente só consigo ler quando a matéria é 100% formal e sem purpurinas. Mas, segurei o meu problema e li a matéria. Btw, legal.

    • Vivi Werneck
      09/10/2012

      Obrigada por lido Francine, mas realmente matéria “formal” por aqui vai ser difícil de achar já que o blog é totalmente informal e opinativo. Mas acredito que vc vá curtir! =) bjs

  24. 09/10/2012

    Escreveste com propriedade, guria!
    Como sempre, aliás!
    Meus parabéns!

  25. 15/10/2012

    Alem de ter o pessoal que trabalhou em fate (rpg onde vc tinha um animal com mesma função,dos mesmo criadores)
    um detalhe é que, dos 3 principais criadores da serie diablo ate o 2 LOD
    2 deles estão na Runic (Criadora da serie Torchlight)Max Schaefer ,Erich Schaefer alem da trilha sonora desenvolvida por Matt Uelmen(diablo 1 e 2), acho que vem dai o brilho dessa nova serie enquanto o D3 não brilhou tanto como esperado.
    Torchlight 2 demostra ser a perfeita junção de Diablo+Fate
    espero que a runic lance uma nova serie com uma historia melhor e graficos no estilo do diablo so q atualizado.

  26. aureliox
    16/10/2012

    Não sei se alguém já disse, mas acho que o Dragon Age também foi tocado pelo Diablo, ou ao menos pelo Neverwinter Nigths.

  27. Darkchcm
    17/10/2012

    Em relação a sua matéria suas analises comparativas são precisas! gostei! estas de parabéns… enfim como todo fanboy eu vou pro lado do diablo pois querendo ou não ainda é referência não digo isso apenas nos contextos gráficos (que não é o melhor) jogabilidade (fluente para experientes e atrativa para noobs) enredo único (com o tempo só piorou…aff) mas por fim algo único e que não vejo sendo abordado em quase lugar algum é a questão subconsciente diferenciada e psicopática que este jogo emprega aos mais “desprovidos”…?! só eu vejo?? Vlw sou viciado em Diablo 1,2 & 2 Lod e 3… joguinho do mau! meu email é [email protected] add quem quiser grupo confirmado de experts.

  28. Ruston
    18/10/2012

    Eu achei a matéria muito boa. Só gostaria de acrescentar algumas informações:

    1 -A Runic Games foi fundada por ex-funcionários da Blizzard que também trabalharam em Diablo I e II. Isso ajuda a explicar porque Torchilight, aparentemente, lembra mais Diablo I e II do que o próprio Diablo III

    2- Neverwinter Nights também levou consigo todas as lições que a Bioware havia aprendido com Baldur’s Gate.

  29. Aqualord
    24/10/2012

    muito legal sua matéria
    tambem jogo diablo e sinceramente torchlight
    tem me atraído mais, joguei D3 uma vez e nao quis mais jogar
    ja Torch fiz varios personagens e ainda gosto de fazer uma pesquisa sobre Builds e talz
    e infelizmente nesse ramo tudo e cópia temos exemplo de League of Legends que tambem foi criado por pessoas que trabalharam no DOTA e hoje e um dos jogos mais jogados ate mais que o proprio Dota 2

  30. junior
    27/11/2012

    e esse game tem ou terá PVP?
    embora Diablo 3 ainda não tenha, mas futuramente o PVP será implementado

  31. Diego Mazzoni
    17/04/2014

    Eu gosto bastante de Titan`s Quest que é mais um dos filhos abandonados de Diablo, mas gosto do jogo principalmente pela variedade enorme de classes, eu queria o TQ2 mas o Kings of Amalur arruinou todo. :(

  32. Gustavo
    03/12/2014

    Como assim?? Desde quando Neverwinter Nights e igual ao Diablo com mesmo estilo de hud e com visão isometrica ????? O jogo e em terceira pessoa. O Baldurs Gate que e semelhante ao Diablo.

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