Profissões Gamers: Artista Gráfico

Tags: artista gráfico, designer gráfico, profissões gamers

Designer Gráfico é o profissional que cria soluções visuais, o que envolve não apenas o lado estético (composição, cores, estilos), mas também o lado funcional da comunicação visual. Por exemplo: ao projetar o menu de um jogo, além de pensar na aparência, que precisa ser agradável ao público-alvo e combinar com a proposta, o designer se preocupa em desenvolver a estrutura/layout de forma que facilite sua usabilidade, que garanta uma boa visualização dos elementos, etc.

No post anterior, atendendo a pedidos, eu falei um pouco sobre a faculdade de Desenho Industrial, a profissão de Designer e como direcioná-la para a área de jogos. Tentei dar algumas dicas, mas não pude me aprofundar muito já que nunca trabalhei com games. Então, para melhor ajudá-los, convidei uma designer que atua no mercado nacional, trabalhando na desenvolvedora Manifesto Game Studio.

Talvez o termo mais apropriado para definir Michelle Oliveira seja Artista Gráfica, pois além de ser designer de logos e interfaces, ela também é ilustradora e cria lindas artes conceituais.

 

– O que te levou a seguir essa carreira? Sempre pensou em aliar trabalho e games, ou isso aconteceu por acaso?

O que me levou aos jogos foi a vontade de tornar meus desenhos um caminho para inserir as pessoas em um contexto. É muito legal desenhar um personagem para uma ilustração, mas acho muito mais atraente desenhá-lo e animá-lo para ver alguém tomar decisões através dele ou então se sentir responsável pelo personagem, criar uma relação temporária com ele.

– Qual caminho trilhou, acadêmica e profissionalmente, para chegar onde está?

Comecei fazendo assets para uma competição chamada Imagine Cup da Microsoft, éramos 5 pessoas trabalhando em um jogo casual para Xbox. Era um jogo estilo Match 3 e envolvia as metas do milênio da ONU (erradicar a pobreza, igualdade entre os sexos, sustentabilidade e outras atitudes boas para ajudar o mundo!).

Foi o meu primeiro jogo e também a primeira vez que tive que produzir arte em grande quantidade para um projeto. Eu nunca tinha ilustrado daquela forma antes e por isso foi uma experiência ótima para descobrir como se fazia um jogo. Antes eu desenhava e coloria como um passatempo e fazia alguns trabalhos com ilustrações para publicidade. Nessa época, eu não tinha muitos conhecimentos acadêmicos porque estava em uma área totalmente diferente da área de jogos (eu fazia Biomedicina).

Depois dessa experiência na Imagine Cup eu percebi que havia adorado fazer jogos e precisava aprender mais sobre isso. Foi quando entrei no curso de design da UFPE focando bastante na área de jogos. Eu passei a interpretar o que eu fazia não só como intuição artística porque era possível seguir técnicas e ter resultados melhores. A faculdade não ensina a mexer nas ferramentas de edição de imagem (Photoshop, Illustrator, Flash) mas mostra como atender as expectativas de um público e do seu produtor. Por exemplo, não posso desenhar um jogo com masmorras e correntes se o jogo é educacional para crianças. Algumas diferenças de público são menos óbvias que estas e é por isso que artistas também precisam estudar.

No decorrer do curso eu consegui um trabalho de artista 2D na empresa de jogos Manifesto e hoje continuo por lá trabalhando com jogos casuais para smartphones e também jogos de desktop no estilo time management e dash. Gosto muito desses jogos e me sinto desafiada a cada novo projeto por pedirem uma arte diferente para públicos distintos. Os jogos de desktop são lançados em portais online e são voltados para mulheres americanas na faixa etária dos 40 anos e os jogos de smartphones para jovens e adolescentes.

Continuei fazendo jogos para competições além do trabalho e da faculdade, gosto de trabalhar sobretudo para a Imagine Cup. Ano passado consegui ir para a final com o jogo do ano anterior. A equipe amadureceu junta e com isso tínhamos mais agilidade e qualidade. Infelizmente não conseguimos o prêmio final ano passado, mas este ano nós continuamos tentando. Provavelmente vamos trabalhar em jogos assim por mais tempo. Acho que esse é o hobby de todo o pessoal da equipe.

– Como é a profissão? E o mercado nessa área?

Geralmente existe um grupo de arte nas empresas e um líder de arte. O líder vai orientar e demandar tarefas para os outros artistas. Um artista precisa pensar bem na interface e saber o que priorizar na composição de um gameplay. Por exemplo, não dá pra usar cores muito próximas no personagem principal e no cenário do gameplay. Afinal, o desafio do jogo não é distinguir personagem da cena. Numa ilustração, provavelmente ficaria harmônico ou não seria tão grave confundir objetos no cenário, mas em um jogo é diferente. A interface também não pode ser apenas uma obra de arte, ela tem que ser bonita, mas funcional. O jogador precisa saber de maneira rápida como se faz pra chegar onde ele quer. Provavelmente, a parte mais divertida para um artista é desenhar as cutscenes do jogo.

Ser artista de jogos é bem gratificante, mas não é tão simples quanto muita gente pensa. Algumas pessoas não levam em conta que nem sempre o jogo feito é o gênero que a equipe gosta. Já vi muitos meninos ficarem decepcionados por terem que fazer jogos casuais para as mulheres de 40 anos.

O mercado de artistas é bastante receptivo para quem está sempre treinando e não tem medo de fazer diversos estilos artísticos. Muitas pessoas focam sua arte apenas em um aspecto e perdem de explorar o seu potencial desenhando outras coisas. Saber desenhar cartoon e também desenhos mais realistas é um diferencial entre um artista que só sabe fazer cartoon ou apenas desenho realista. Aprender a animar e a criar interfaces também é outro diferencial.

– Que dicas você daria para quem está pensando em trabalhar na sua área, mas não tem ideia de como começar?

Um bom caminho é arrumar um grupo disposto a fazer jogos e avaliar como foi a experiência. Além disso, é uma ótima maneira de gerar portfólio. Um empregador vai considerar bastante uma pessoa que já finalizou um jogo antes, mesmo sendo um jogo pequeno. Existem pessoas que aprendem a programar e a ilustrar na faculdade mas não se conhecem durante a graduação, apesar de terem interesses em comum. Ir atrás dessas pessoas vai dar o gosto de como é trabalhar com os diferentes profissionais que fazem jogos.

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Excelentes as dicas da Michelle, hein? Imagino que seja uma área bem gostosa de trabalhar, mas que envolve bastante ralação (como qualquer outra).

Lembrando que esse depoimento vale para o design aliado à arte/ilustração, mas quem sonha em trabalhar com design gráfico não precisa desistir se não souber desenhar. Há áreas bem práticas na profissão que não exigem grandes habilidades artísticas, basta pesquisar para encontrar uma que se encaixe em suas capacidades. Até falei sobre isso no post anterior.

– Clique para acessar o site da Manifesto Games

– Clique para acessar o Facebook da Manifesto Games

 

Confiram alguns trabalhos da Michelle

   

 

Bebs
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19 Comentários em "Profissões Gamers: Artista Gráfico"
  1. leandro(leon belmont)alves
    23/04/2012

    bacana a entrevista Bebs gostei da foto 1,4 e 5 dessa michelle. ela realmente tem talento. espero que mais games brasileiros tenham uma arte igual a dela

  2. Juliano
    23/04/2012

    criativa demais, excelentes imagens, fico imaginando joguinhos cômicos com esses personagens animados

  3. Michelle
    23/04/2012

    Valeu pela entrevista, Bebs! ^^ Curto muito jogos cômicos também. Qualquer dúvida, pessoal, é só perguntar.

  4. Daniel Braga
    23/04/2012

    Mizita famosa! ^^

    Ótima entrevista Bebs!

  5. Aninha Braga
    23/04/2012

    Minha Nora Michelle sempre arrasa! Parabens pela entrevista Bebs! Parabens Mi!

  6. paulo honda
    23/04/2012

    Se não fosse por este profissional não teríamos nem o botão de start nos games.
    Como sempre,mais uma excelente entrevista com conteúdo profissional.

    • Shaka
      23/04/2012

      “The Dutchman must have a captain”

      • paulo honda
        23/04/2012

        “Agree”

  7. 24/04/2012

    Adorei a entrevista! Aproveitando a oportunidade, queria fazer uma pergunta pra Michelle: tenho uma amiga que prestará vestibular para design no fim do ano, e ela é interessada na área de games. Como está o mercado de trabalho aqui em PE?

    • Michelle
      25/04/2012

      Estão procurando muitos artistas ultimamente e acho que a tendência é aumentar essa procura =D Se a sua amiga for fazer na UFPE recomendo ela procurar o GDR (o laboratório de jogos do pessoal de design na UFPE) depois que passar no vestibular. Pode ser que no primeiro período seja mais difícil conseguir mexer logo com jogos, mas do segundo em diante ela deve conseguir algo. ^^

  8. 24/04/2012

    por que nao fasem uma analise de wwe 12

  9. 24/04/2012

    to com outra cara

  10. Heros
    24/04/2012

    Hey Bebs, nunca comentei aqui, mas dessa vez precisava muito agradecer, esses dois ultimos posts da ”Profissão Gamer” só me deram certeza do que eu quero fazer que até então não tinha noção por começar ou o que fazer com a minha vontade de criar e desenhar :]
    Mas, me tira uma duvida no quesito faculdade, na UNB pelo menos, pra Desenho Industrial, há a prova de desenho de aptidão?

    • Bebs
      24/04/2012

      A profissão é uma delícia pra quem tem essa vontade de criar. :D

      Na UnB tem a Prova de Habilidades Específicas. Às vezes essa prova vem com questões bem simples, em outras colocam exercícios mais elaborados. Mas não precisa se assustar quando a prova parecer complicada, eles avaliam se o candidato tem alguma noção de formas, composição, etc, não quem desenha melhor.

      Olha um exemplo: http://www.cespe.unb.br/vestibular/1HE2010/arquivos/HE_DESENHO_INDUSTRIAL_2010.pdf

  11. Beatriz
    24/04/2012

    Opa, muito interessante!

    Bebs, se não for pedir demais, você poderia fazer um post sobre programadores?. Eu faço faculdade de ciência da computação e me interesso muito por essa área, seria muito interessante ver um post sobre esse assunto.

    Adorei a entrevista, a Michelle manda muito bem.

    • Juliano
      25/04/2012

      +1

    • Stephany
      25/04/2012

      Eu ia comentar a mesma coisa! Pretendo fazer faculdade de engenharia ou ciências da computação (ainda não me decidi, até por isso que queria um post desses) e seria muito interessante!

    • Bebs
      26/04/2012

      Vou caçar o contato de algum programador, podexá. ;)

  12. Rafael Freitas
    11/05/2012

    Ótima coluna! Sempre bom conhecer quem trabalha na área aqui no Brasil, parabéns.
    [ conhecia o blog/site, mas só vi essa coluna hoje]

    Já estou estudando na área, apesar de ser algo mais geral, me vejo trabalhando mais com a parte artística mesmo. Bem no começo ainda, vou começar a estudar as diferentes formas e praticar bastante. Legal ver como o mercado está também.

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