Profissões Gamers: Behold Studios

Tags: behold studios, chroma squad, knights of pen and paper, profissões gamers

chroma

Alô, galerians! o/

Estamos de volta com Profissões Gamers, nossa coluna que busca dar uma ajudinha pra quem sonha em trabalhar com games, mas não faz ideia de onde/como começar! Através das experiências dos profissionais, mostramos que há várias formas e caminhos possíveis pra entrar nessa indústria vital.

Desta vez, bolei um esquema um pouquinho diferente. Convidei os representantes de três estúdios f-dásticos do nosso mercado pra contarem como “chegaram lá”. Fiquem ligados que logo posto os outros, mas hoje abrimos com os meus conterrâneos do Behold Studios! Quem veio nos contar a história da empresa é um de seus fundadores, Saulo Camarotti.

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– O que os levou a essa carreira? Sempre quiseram trabalhar com games?

A nossa vontade de trabalhar com jogos vem da infância. Eu, por exemplo, com 7 anos tinha o costume de desenhar modificações nos jogos que eu jogava e desenhava jogos que eu queria jogar. Um pouco depois já me aventurava fazendo jogos no Game Maker e RPG Maker, e quando fui decidir o curso de graduação, fui direto para Ciência da Computação. Aqui no estúdio não foi muito diferente com os outros. Percebemos que a nossa vontade de criar é maior do que a de jogar, e tem sido muito bom alinhar profissão com desejo de trabalhar com jogos.

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– Qual caminho trilharam, acadêmica e profissionalmente, para ingressar na área?

Todos aqui seguiram por universidades e pós-graduações. Eu comecei por Ciência da Computação, na Universidade de Brasília. Lá aprendi muito bem a matemática e a física, que são essenciais para a programação. Aprendi também a trabalhar com sistemas mais complexos, entender engenharia de software, equipes, produção, e tudo que precisava. Mas vale a pena mencionar que a nossa experiência com estágios e projetos de pesquisa na universidade foram as melhores oportunidades de aprendizado. Da sala de aula pouco se aproveitava, quando comparado ao universo de aprendizado dos projetos de pesquisas.

Depois de Ciência da Computação, já trabalhando com jogos e depois de ter aberto a Behold Studios, resolvemos fazer uma pós-graduação em Jogos Digitais, no IESB/DF. Lá nos envolvemos um pouco mais com quem quer produzir jogos em Brasília, e isso alavancou muitas oportunidades.

Nosso estúdio foi aberto por mim e meu ex-sócio Pedro Guerra, logo quando nos formamos em Ciência da Computação em 2009. Nós procuramos uma incubadora (CDT/UnB), e isso nos auxiliou em todo o processo e burocracia de abrir um estúdio. Mas quando converso com alguém que quer abrir um estúdio, digo que o melhor caminho é primeiro montar equipe e fazer jogos. Depois do jogo pronto, começar a pensar no contador e no CNPJ. Acho que a burocracia é importante para ficarmos dentro da lei, mas não precisamos nos preocupar com essas questões. Só quando chegar a hora.

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chromasquad

Chroma Squad, o novo jogo do Behold Studios, que acabou de fechar uma campanha de sucesso no Kickstarter, é um simulador de estúdio de super sentai. Você aí, que sempre sonhou em dirigir o seu próprio Changeman, não pode perder! Já estou pensando no meu futuro sentai: The Super Cobras… Yellow Pain, Black Fear, Green End, Red Fury e Blue Sorrow.

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– Fale um pouco sobre a sua profissão específica.

Sou diretor administrativo, produtor e programador. Como programador fico responsável por dar vida ao software que roda o jogo. Desde programar a interação com o jogador, definir interface e efeitos visuais, até a parte mais “baixa” da compatibilidade com diferentes sistemas operacionais, organizar arquivos e cuidar da segurança do jogo. Devo então me capacitar muito em matemática, lógica, fisica mecânica/cinética, e todo o universo dos computadores.

Como produtor meu trabalho é gerenciar a equipe, definir tarefas, organizar reuniões. Toda segunda-feira temos uma reunião para discutir o que será feito na semana, e cobrar aquilo que está pendente. Devo também trabalhar a motivação dos colaboradores, não somente através de comemorações e festas, mas entendendo que no trabalho também podemos encontrar alegria. Devo cada vez mais me capacitar nos processos, como Agile, SCRUM, Cascata, Iterações, etc.

Como diretor administrativo, eu cuido das finanças, pagamentos, contador e documentação. Esse trabalho é fundamental para não gastarmos dinheiro a toa, e não perder de vista onde queremos chegar. Não nos movemos pelo dinheiro aqui dentro do estúdio, só queremos fazer jogos bons, mas de qualquer maneira é importante uma organização financeira.

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– Como é sua rotina típica de trabalho?

Chego no trabalho entre 9 e 10 horas da manhã, que fica a 500m do meu apartamento. Cuido dos e-mails, respondendo principalmente as questões do nosso investidor, da nossa publicadora Paradox e revendo algumas questões com jogadores que tiverem problemas no jogo. No final da manhã inicio minhas tarefas que foram combinadas na segunda-feira. O almoço geralmente é com todo o pessoal, em um restaurante por quilo no outro lado da rua. Voltamos em seguida, jogamos um pouco de PS3 ou Xbox até umas 14h, e voltamos a trabalhar. À tarde continuamos nossas tarefas e ficamos assim até as 20h.

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– Que dicas você daria para quem está pensando em trabalhar na sua área, mas não tem ideia de como começar?

O que nos ajudou muito foram os concursos e festivais. Eu participava de todos, seja aqueles Game Jams que te colocam na posição de fazer um jogo em menos de 48 horas. Também participamos de concursos com prazos maiores, quando devemos mandar nosso jogo para competir em alguma categoria. E nunca deixei de participar de palestras e congressos, onde aprendemos muito, conversamos com muitas pessoas, ampliamos nossa rede de contatos, e conseguimos assim perceber pra onde a indústria está caminhando, seja para jogos mobile, consoles, rogue-likes, indies, etc.

Para quem nunca se aventurou em fazer um jogos, sugiro buscar uma ferramenta simples como Construct 2 ou Game Salad, e fazer alguns projetos simples. O mais difícil não é ter ideia, é traduzir a ideia em software e arte. Então, ter boas ideias não te faz um bom game designer, da mesma maneira que imaginar grandes cirurgias médicas não te faz um bom médico. Agora, fazer o jogo, construir a ideia e deixar que alguém jogue, é onde se encontra o verdadeiro desafio.

Obrigado ao Girls Of War por essa oportunidade! Espero que ajude muitos a trilhar seus caminhos.

Abs!

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Nós é que agradecemos, Saulo!

(Bruna e eu ainda vamos pagar a visita que estamos devendo a vocês! hehe)

 

SAIBA MAIS:

– Site do Behold Studios

– Facebook do Behold

– Review do Kotaku sobre o jogo anterior deles, Knights of Pen and Paper

– Matéria no Kotaku sobre Chroma Squad

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Bebs
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8 Comentários em "Profissões Gamers: Behold Studios"
  1. Leonardo
    28/08/2013

    Óptima entrevista. É bom ver que a coluna está de novo erguida.
    “Lá aprendi muito bem a matemática e a física” -_- Ainda bem que, como foi mostrado num dos primeiros posts sobre profissões gamers, há muito mais, como por ex. tradução e afins.
    Espero que o jogo obtenha muito sucesso. É bom ver novos jogos com aspecto retro e sem serem destinados a “graphic whores”.

    Off-topic: também seria bom ver o regresso dos trabalhos manuais gamers da Bebs =D

    • 01/09/2013

      Boa, Leonardo!!! :D
      MUITA saudade da Ms. Bebsmaker no Art Attack Gamer :D
      Também andei reparando que Vivi deu um tempo pro Divã Gamer e focou mais nas jogatinas desenfreadas, mesmo que seja uma troca justa ;D

  2. 28/08/2013

    Excelente entrevista com um dos estúdios mais legais que apareceram no Brasil. Inclusive, também tive minha participação no Kickstarter do Chroma Squad! ;)

  3. Lipe!
    28/08/2013

    Gostei das informações postadas!
    O que me deixa feliz nessa área é que eu posso só fazer modelos 3d e ilustração que é a minha área.

  4. 28/08/2013

    Ótimas informações. Ver esse tipo de estúdio aqui no Brasil aquece o coração ;u;

  5. leandro(leon belmont) alves
    29/08/2013

    bacana esse jogo dos power rangers e ver uma boa entrevista aqui.

  6. Hélio
    29/08/2013

    Passei apenas pra te dar um oi e um parabéns pela matéria, Bebs. Saudade dos seus posts. :)

  7. 01/09/2013

    Meu sentimento quando vejo uma matéria sobre desenvolvedores de jogos é um mix: inveja, frustração e motivação. Sempre tive vontade (como qualquer gamer) de trabalhar com isso, mas acho que a faculdade que fiz não ajuda tanto quanto poderia. Aí fico com vontade de fazer uma pós de algo mais voltado pra esse lado, mas lembro que por aqui (interiorrrr de SP) a bagaça é tensa…

    Eu acho que tenho mais um “olhar técnico” que a habilidade de desenvolver em si. Não curto tanto programação, mas imagino altas situações, efeitos, visuais, histórias e essas coisas pros jogos. Viajo mais ainda quando o assunto é música e o jogo imaginado é de horror. Bebs neeeem sabe disso… LOL

    Também gosto de escrever sobre (vide alguns Detonados que já fiz pros meus fansites), mas como não tenho facul de jornalismo, o sonho de trabalhar em uma revista de games fica um pouco mais distante — porém não inatingível ;D

    Quem sabe eu não dou de cara, um dia, com uma galera que também tenha os mesmos objetivos? E vai que brota uma desenvolvedora de jogos de horror mais voltados pro que a gente curtia tanto antigamente?
    Custa nada pensar no futuro, né não? \o/

    Bebs, saudade dos seus posts[+1] ah vá… jura, James? xD

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