Profissões Gamers: Especialista em Localização

Tags: carlos pivotto, final fantasy xv, localização, profissões gamers, tradução

Riiise from your graaave (again), coluna Profissões Gamers. (/*__*)/ ~~

Nosso primeiro convidado da Profissões Gamers foi um tradutor. O ano era 2011, e as grandes publishers – impulsionadas pelos bons ventos (economia emergente + ascensão da chamada nova classe média) que sopravam por aqui desde a segunda metade dos anos 2000 – expandiam suas operações de distribuição no Brasil. Adaptar os jogos para a nossa cultura, algo que não era inédito no país (beijo, Tectoy), voltava a ser uma estratégia de negócios promissora.

Seis anos (com alguns inevitáveis tropeços pelo caminho) depois, a localização de jogos para o português brasileiro tornou-se ferramenta poderosa de marketing em um mercado nacional cada vez mais sólido e afinado com as particularidades de seu público.

Este post funciona como um callback daquela entrevista inaugural da coluna. Para falar sobre como está o mercado em 2017, e mais especificamente sobre a profissão de Especialista em Localização, temos o orgulho de trazer um amigo querido que muitos de vocês já conhecem: Carlos Pivotto, o Ilapso do BaixoFrenteSoco.

 

– O que te levou a essa carreira? Sempre desejou trabalhar com jogos?

A vontade de trabalhar com jogos já vinha de infância. A localização começou como um hobby em scanlators e fansubs e se tornou uma profissão depois.

 

– Qual caminho você trilhou para ingressar na área de localização?

Entre 2004 e 2008, mantive com amigos um scanlator, o Si~LÉNSCE!, onde traduzimos diversos títulos, como Death Note, Hokuto no Ken e 20th Century Boys, além de colaborações com outros grupos. Isso me levou, anos depois, em 2013, a uma oportunidade no Crunchyroll, onde estou desde então. Foi essa experiência profissional que me levou a gostar do trabalho com localização. Em 2016, comecei também a trabalhar com localização em jogos.

 

– Fale um pouco sobre a sua profissão e como está o mercado para ela no Brasil atualmente.

É preciso deixar bem claro que localizar é diferente de traduzir. O segundo é transpor o significado de um idioma para o outro. O primeiro pressupõe adaptações que ajudarão o interlocutor a se localizar e não precisar de conhecimentos, por exemplo, oriundos de outra cultura.

Hoje recebemos uma carga absurda de mídia em outros idiomas, em jogos digitais, animes, filmes, séries de TV, reality shows, etc, e há demanda para estes tipos de entretenimento localizado em português. É um mercado em crescimento, especialmente em jogos, e aquecido. Felizmente tem sido cada vez mais raro jogos lançados sem qualquer localização para o português.

 

– Como é sua rotina típica de trabalho?

A rotina varia muito, dependendo da empresa onde se trabalha, do cliente e do tipo de mídia (jogos, animes, filmes). Cada empresa pode utilizar um software de tradução específico. Cada cliente pode ser mais ou menos participativo no processo. Há clientes que enviam muito material auxiliar de familiarização com o produto, inclusive imagens e vídeos; outros enviam scripts sem sequer citar quem é o personagem que está falando, o que dificulta inclusive a tradução em termos que variam conforme o gênero. Um fluxo típico envolve tradução e revisão da tradução, às vezes por dois revisores.

 

– Que dicas você daria para ajudar quem está pensando em trabalhar na sua área, mas não tem ideia de como começar?

O primeiro é compreender esta diferença entre traduzir e localizar. O trabalho nesta área exige muito mais do que conhecer um outro idioma. Em 4 anos, já tive que pesquisar e estudar termos náuticos, armamentos da I Guerra, poemas de séculos atrás, entre outras coisas.

Gostar da mídia com que se trabalha é essencial, e sobretudo ter ciência de que uma localização é feita pensando em um público maior. As referências de cultura japonesa, americana, do tradutor, não são as mesmas do público maior. Às vezes, são necessárias adaptações. No mais, é pesquisar as empresas que trabalham no segmento, ficando de olho em créditos de jogos, etc, e ficar de olho nas oportunidades.

 


 

Um dos objetivos da coluna Profissões Gamers é mostrar outros caminhos possíveis para quem sonha em trabalhar com jogos, mas talvez se sinta desencorajado por falta de afinidade com a programação ou de inclinação para as artes. A localização pode ser uma área interessante para você que curte ler e escrever, idiomas e culturas diferentes.

No Overloadr há uma excelente reportagem sobre a história da Brasoft, empresa pioneira da localização de jogos no Brasil.

Como a Brasoft desbravou a localização de games brasileira há quase 20 anos

(Beijo para quem jogou Grim Fandango em português. <3)

 

Pivotto é multifacetado: engenheiro de sistemas, professor de programação, especialista em localização e locutor de e-sports. Só falta atacar de DJ.

Acompanhe as peripécias dele na internet:

BaixoFrenteSoco.com

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Bebs
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