[Review] South Park: The Stick of Truth

Tags: análise, Obsidian, review, RPG, South Park, South Park The Stick of Truth, The Stick of Truth, Ubisoft

South Park, apesar de claramente não ser um desenho recomendado para crianças, é justamente conhecido por apresentar simpáticos pirralhinhos e adultos psicopatas, loucos de pedra, de mente distorcida, facilmente manipulados pela mídia, bocas sujas e possuidores de toda e qualquer transgressão ética e moral que você possa imaginar.

Agora qual é a melhor parte disso tudo (sim, isso existe)? South Park virou um jogo! E, graças a Ubisoft que abraçou esse projeto insano, e foi insana o suficiente para publicá-lo, podemos nos “deliciar” ao explorar esta pequena e pacata cidade, exalando odores retais fétidos na cara dos outros, espancando coleguinhas de colégio, enfrentando ETs sadomasoquistas e tentando sobreviver a uma horda de zumbis nazistas. Isso tudo enquanto você, a nova criança que chega à cidade, se vê no meio de uma batalha entre humanos e elfos para colocar as mãos no Pau da Verdade (Stick of Truth).

Logo de cara você vai perceber que o game, desenvolvido pela Obsidian – que finalmente ressurgiu das cinzas com alguma glória, é visualmente idêntico ao desenho e controlar sua criancinha psicótica te dá a impressão de estar interagindo com um episódio da série. E não é só o visual que é o mesmo.

A maioria das referências que consagraram o cartoon estão lá e você verá também as principais crianças do seriado participando de um grande live action de RPG: Cartmam é o mago líder dos humanos, zoando a todos e ficando puto da vida quando é zoado; Kenny é a princesa (ele insistiu por esse papel) e se lasca bastante como sempre; Stan (um guerreiro) conspira contra Cartman e Kyle assume o papel do judeu líder dos elfos. Uma menção honrosa aqui para o fofinho do Butters que, para variar, é o Paladino e a primeira opção de companhia que irá ter para se aventurar pela cidade.

O gameplay é muito semelhante aos dos RPGs japoneses, ou seja, batalhas em turno – só que em Stick of Truth elas são bem mais legais, rs. Nada se compara a tomar impulso e sair do chão com o próprio peido e dar uma cajadada com um consolo alien na cabeça de alguém. Além das batalhas que começam quando você esbarra, ataca ou é atacado por um inimigo pelas ruas, também é possível fazer missões secundárias dos moradores. Dependendo da missão, você irá destravar “poderes especiais” que são capazes de dizimar um ou um grupo de inimigos de uma só vez. Desses especiais, o mais insano que achei até agora foi o do Mr. Slave que, ao ser sumonado, abaixa as calças e literalmente enfia um dos adversários em seu… Err… “Orkut”.

Em relação ao mapa, a princípio você pode achar que ele é muito curto e limitado e, por vezes, é fácil ficar sem saber o que fazer ou perdido nas quests. Parte disso deve-se ao sistema de opções do jogo que não é lá muito claro e intuitivo, mas a outra parte deve-se ao fato que novos desafios serão desbloqueados nesse mesmo local (e em outros) conforme for avançando na história.

Fora as referências claras a alguns episódios da série, como disse antes, algumas novidades de diálogos e história foram feitas especialmente para o jogo, como a adição de uma brincadeira com Skyrim, por exemplo, que dá nome a um dos golpes flatulentos que seu personagem desbloqueia e até o Facebook entrou na história, já que você é obrigado por seus pais a fazer amigos pela cidade.

Vocês já devem ter percebido que estou falando do jogo de forma relativamente superficial e isso é de propósito: a grande graça de jogar Stick of Truth é justamente rir das piadas profanas, se surpreender com as aparições de certos personagens em momentos hilários e descobrir as referências fora da série, como no caso de Skyrim, que foram integradas de forma distorcida ao game. Se eu falar muito sobre isso vou tirar toda a diversão da sua experiência com o game. Por isso, só tenho mais uma coisa a dizer: assistindo você a série ou não, jogue South Park! É risada psicótica garantida, com personagens já conhecidos e carismáticos e muito conteúdo politicamente incorreto. South Park: Stick of Truth está disponível para PC, PS3 e Xbox 360.

Vivi Werneck
Share on Tumblr
Feed do Post
8 Comentários em "[Review] South Park: The Stick of Truth"
  1. 23/04/2014

    GAME OF THE YEAR SEM PROMETER! *O*

    Sim, é difícil falar desse game sem entregar spoilers. O game realmente lembra um episódio da série (até graficamente lembra isso), e o sistema de RPG criado pela Obsidian realmente está cativante. Não só pela criatividade que a equipe teve na invencionice de usar itens comuns como itens de um RPG, como também pelas habilidades. Se você montar o seu personagem da maneira certa, e com o aliado ideal, você pode até mesmo fazer alguns combos.

    Poxa Vivi, você tendo compaixão por um Paladino? -v- Mas o Butters é fofinho mesmo. Aliás, os personagens que mais gostei são o Jimmy, o gaguinho bardo (eu sempre usava a habilidade dele de cantar, pois achava muito fofo! rs) e a Princessa Kenny (adorava usar a habilidade dele de unicórnio). Falando sobre o Sr. Escravo, vocês nunca, NUNCA vão querer conhecê-lo por dentro. HAUSHAUSHAUSH Eu também notei que a musiquinha que toca enquanto você caminha pela cidade é uma paródia da conhecida música de Skyrim (mas posso estar enganado).

    Talvez a única coisa que tenha tirado um pouco do brilho e feel que senti na hora de jogar, foi por causa dos bugs de comendo que tive em alguns momentos. Tinha vezes que eu apertava o botão freneticamente e não acontecia nada. Fui dar uma pesquisada na net e descobri que outros também tiveram problemas parecidos. Esses bugs foram facilmente resolvidos com joystick de Xbox 360, mas eu fico pensando, e quem não tem o joystick, e quem joga no PS3? Fora isso, o game está de parabéns, principalmente pela sua extrema criatividade. Já dizia a Flavia Gasi: “South Park é um suspiro depois da gargalhada”.

    • Vivi Werneck
      23/04/2014

      Notei alguns bugs tb. Especialmente ao usar armas de longo alcance que não fossem a base de flechas. As vezes nos combates elas simplesmente não funcionavam. Fechei o jogo já e achei hilário.

      • Roberto Vasconcelos
        19/05/2014

        Assim como Diablo 3 para consoles (JOYSTICK!) foi o jogo do ano passado pra mim, o desse ano até agora disparado é esse South Park. E curti a música ambiente do jogo demais, nem sabia que era inspirada em Skyrim. As outras referências eu tinha sacado, mas mais pela popularidade e obviedade delas, porque não joguei Skyrim (não curto FPS, salvo raríssimos casos, como L4D e Bioshock). Como joguei a versão de 360, o pior bug que encontrei e que realmente incomodou a jogatina foi por conta da tradução oficial, em que os itens do acampamento élfico, quando acessados, travam o jogo ao se selecionar as luvas de Monge. E o visual, não tenho o que dizer, me deu a mesma sensação de quando joguei Zelda Wind Waker a primeira vez, de que jogava um desenho animado interativo de verdade. Fantástico, adoro jogos assim. Muuuuuu… xD

  2. Hélio
    24/04/2014

    Até q enfim zerou um RPG por turnos, hein vivi! Ae,parabens!

    • Vivi Werneck
      24/04/2014

      Mas esse não foi o primeiro RPG em turnos que zerei. Eu só raramente tenho paciência pra JRPG. Esse foi incrivelmente diferente pelo fato de ser engraçado, politicamente incorreto e mais rápido nas lutas – mesmo sendo em turnos.

      • Hélio
        26/04/2014

        Tem muito JRPG por aí q usa um sistema action, o q talvez te afastaria é a direção de arte meio colorida demais. KH, Rogue Galaxy, Tales of, Star Ocean, todos esses são bem movimentados nas batalhas.
        Já sobre temática mais adulta ou dark, provavelmente os jogos da série Shin Megami Tensei/ Persona/ Digital Devil Saga seriam mais a sua praia. São por turnos, mas trabalham com muito tema de ocultismo, demônios, etc. :)

  3. Miya
    28/04/2014

    Apesar de não ter jogado ainda,achei muito maneiro =D E pelo que eu andei lendo,as piadas chegaram num nível tão hardcore que em alguns países da Europa(principalmente Alemanha e Austrália) tiveram que censurar muita coisa. Dá só uma olhada no o documento oficial da Ubisoft que contém todas as edições: http://a.pomf.se/eczoaa.JPG

  4. Sputnik
    28/04/2014

    Perfeito! Acho que das adaptações que já joguei, tanto de filme quanto de desenho e etc, essa foi a mais fiel. Eu estava há um bom tempo sem assistir a série e tive de assistir as duas últimas temporadas antes de jogar (o jogo é mais focado na última temporada btw) e, mano, enquanto jogava eu me sentia assistindo um episódio. Ficou realmente muito bom e tenho certeza que Trey Parker e Matt Stone acompanharam cada detalhe na produção bem de pertinho, cara, ficou mesmo muito foda :D

Crie uma conta no gravatar.com para colocar sua foto nos comentários.

Sempre que comentar em algum blog com o email cadastrado, aparecerá sua imagem.